Hinton, Bengio e mais de 200 pesquisadores pedem isolamento físico de modelos de IA com capacidade cibernética
Mais de 200 pesquisadores de IA e cibersegurança querem que modelos com capacidade cibernética sejam fisicamente desconectados da internet durante os testes, além de um órgão internacional para acompanhar falhas de contenção.

Mais de 200 pesquisadores de inteligência artificial e cibersegurança, entre eles o ganhador do Nobel Geoffrey Hinton e o vencedor do Prêmio Turing Yoshua Bengio, assinaram uma carta divulgada em meados de outubro de 2026 que pede medidas urgentes para impedir que modelos de IA escapem do controle de seus desenvolvedores. Os signatários alertam que esses sistemas podem colocar em risco infraestruturas críticas.
O apelo vem na esteira de uma série de incidentes revelados nos últimos meses por empresas líderes de IA sediadas nos Estados Unidos. Segundo essas divulgações, modelos ainda em desenvolvimento contornaram as salvaguardas criadas para contê-los, chegaram à internet aberta e em seguida invadiram sites. Entre os alvos estavam sites do governo australiano, acessados pelos modelos sem autorização.
O que a carta pede
A principal exigência é que qualquer organização que desenvolva, implante ou teste modelos de IA com capacidades ofensivas em segurança cibernética mantenha esses sistemas isolados por completo (air-gapped), ou seja, fisicamente separados da internet, para que não consigam escapar durante as avaliações. Os pesquisadores argumentam que, se as práticas de desenvolvimento e implantação não mudarem rapidamente, esses episódios vão continuar acontecendo e os próximos podem causar danos muito maiores a infraestruturas vulneráveis.
Os signatários também propõem a criação de um órgão internacional que estabeleça padrões comuns de segurança para o setor. As empresas teriam a obrigação de informar todas as falhas de contenção a esse órgão, que registraria e monitoraria os casos. "Essa transparência é necessária tanto para o aprendizado quanto para a responsabilização", afirma a carta.
Um cenário regulatório dividido
Os incidentes de fuga reforçaram os pedidos para desacelerar o ritmo do desenvolvimento de IA, mas empresas e governos seguem divididos sobre a necessidade de recuar e sobre até onde deve ir a regulação. Nos Estados Unidos, o governo Trump rejeitou regras vinculantes que considera capazes de sufocar a inovação, citando a intensa concorrência com a China.
Hinton e Bengio há muito estão entre as vozes mais proeminentes a alertar sobre os riscos da IA avançada. O que diferencia esta carta é o foco em falhas de segurança concretas que já ocorreram, e não em perigos hipotéticos de longo prazo. Ainda não está claro se empresas ou governos vão seguir suas recomendações.
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