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Hacker usou agentes de IA para invadir mais de 100 sites, incluindo Deere e Cummins

Um hacker de língua chinesa deixou agentes de IA fazerem quase todo o trabalho na invasão de mais de 100 sites de empresas, segundo o pesquisador Snorre Fagerland, da NorForge.

Ilustração de agentes de IA autônomos invadindo vários sites enquanto nenhum humano está sentado diante do teclado.
Foto: Ctjf83 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Um criminoso de língua chinesa delegou quase toda uma campanha de invasões a agentes de IA autônomos e comprometeu sites de mais de 100 empresas, de acordo com um relatório divulgado em 19 de outubro de 2026 por Snorre Fagerland, pesquisador principal de ameaças da empresa de cibersegurança NorForge. Entre as vítimas estão a fabricante de equipamentos agrícolas Deere, a empresa de eletrodomésticos SharkNinja e a fabricante de motores Cummins.

Fagerland identificou a atividade ao vasculhar a internet em busca de implantações expostas por acidente do Cairn, uma plataforma de código aberto de resolução de problemas com IA que caiu no gosto dos hackers. A partir de cerca de 2 de outubro, ele afirmou, identificou aproximadamente duas dezenas de instâncias do Cairn usadas para fins maliciosos, o que lhe deu uma visão em tempo real de criminosos comandando seus agentes. O relatório não citou as vítimas; a identidade delas foi estabelecida por meio de uma análise independente da atividade do hacker no Cairn.

1.200 tentativas por cerca de US$ 5.000

Segundo Fagerland, a campanha começou em 25 de setembro e tinha como alvo sites de comércio eletrônico nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. As instruções do operador somavam menos de 100 caracteres chineses. No fim da semana anterior, os agentes já haviam tentado invadir mais de 1.200 sites, e as invasões bem-sucedidas costumavam levar cerca de 23 horas de sondagem. Fagerland estimou que a operação, que aparentemente combinava o DeepSeek, da China, com o Claude Code, da Anthropic, consumiu cerca de US$ 5.000 em tokens, ou aproximadamente US$ 50 por invasão bem-sucedida.

O pesquisador veterano, que atua na área há quase três décadas, disse que alguns dos métodos dos agentes o impressionaram. Em um caso, sem encontrar falhas no principal aplicativo de uma grande empresa, eles rastrearam a infraestrutura relacionada, localizaram um painel de controle exposto e, após horas de experimentação, relataram ter explorado uma sutil fraqueza no tratamento de dados para executar comandos maliciosos no servidor. "Não é coisa de script kiddie", afirmou Fagerland.

Ainda não está claro quantos dados foram de fato roubados. A Deere disse ter realizado medidas de correção e não ver sinais de acesso a informações sensíveis. A SharkNinja informou que apenas um site independente de suporte a produtos foi afetado e que a ameaça foi contida. A Cummins disse estar investigando um possível ataque a um site operado por um fornecedor terceirizado. O desenvolvedor do Cairn, conhecido online como "le1xia0", escreveu no X que a plataforma não foi criada para hacking e que o uso nocivo não era sua intenção.

Um arsenal criminoso em expansão

Outros operadores observados por Fagerland roubaram dados de cartões de crédito e tentaram usar agentes para roubar uma corretora de criptomoedas. A empresa israelense Gambit Security documentou uma onda de ataques conduzida por agentes em setembro, que resultou em invasões a 25 empresas e no roubo de pelo menos 600.000 registros de cartões, enquanto a Bitsight relatou um aumento de discussões em fóruns criminosos sobre agentes autônomos. Fagerland disse que esperava que esses agentes precisassem de alguma supervisão humana, mas que a tecnologia claramente já avançou além disso.

#Agentes de IA#cibersegurança#hacking#Claude Code#DeepSeek

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